O SENHOR ME ENVIOU E AQUI ESTOU
Hoje está fazendo exatamente 35 dias que acampei nesta terra de missão, “terra de leite e mel” (Ex 3, 8ª). Estou tomando conhecimento da realidade de toda Paróquia, porém não posso afirmar que já conheço. Nesses dias concelebrei ou celebrei 45 Eucaristias e, participei de muitas reuniões, que me permitiram conhecer um pouco da realidade dos paroquianos.
Cheguei aqui em Apuí, às nove horas e trinta minutos do dia quatro (04) de fevereiro de dois mil e dez (2010). No aeroporto local fui recepcionado pelo Frei Osni e algumas pessoas queridas, entre elas, o Modoaldo e a Fátima, casal missionário da Diocese de Umuarama, que por dois anos realizou o trabalho de missão em Sucunduri, que pertence a Paróquia São Sebastião. Conduziram-me a casa paroquial e logo fui instalado no quarto que permaneço. Tomei um delicioso banho seguido de um café. Daí para frente fui sendo apresentado para as pessoas. Conheci a Márcia, secretária da paróquia, liguei para meus familiares e alguns amigos noticiando que cheguei bem e estava sendo acolhido com muito carinho.
Depois de um dia cheio de novidades, fui com o Frei Osni, o Modoaldo, a Fátima para a celebração da Eucaristia e Adoração ao Santíssimo, participei concelebrando e, sendo apresentado a Comunidade da Capela Santa Teresinha do Menino Jesus. Na sexta conheci as Irmãs Franciscanas, que tem desenvolvido um trabalho de longos anos na paróquia. Neste mesmo dia o Frei Osni me colocou a par da realidade da paróquia, dos imóveis, das pastorais e movimentos. Às 19h30 participei da celebração da missa em intenção da Saúde, fui apresentado ao pequeno grupo de fiéis que lá se encontrava.
No dia seis (06) chegou o Frei Itacir e comecei a ser apresentado para as comunidades rurais, que são chamadas de vicinais, que significa povoações próximas, é como se fossem setores, bairros ou comunidades. Conheci a Vicinal Morena e celebramos na Capela Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Nesta celebração um pouco de constrangimento natural, em razão da despedida do querido frei Osni e da minha acolhida. As pessoas manifestavam tristeza pela saída dos freis e, ansiedade com minha chegada, estavam sem saber muito como agir. Com muita naturalidade entendi tudo isso, não senti nenhuma rejeição que possa atrapalhar meu desempenho pastoral, mesmo ciente que ora ou outra isso possa ocorrer.
Por intermédio da Márcia, fui informando de toda movimentação administrativa da paróquia, as formas de arrecadação que são as festas, dízimos e outras doações. Vimos juntos toda documentação e, o Frei Osni que respondia como pároco fez a transferência de contas, que depois com a provisão dado por Dom Francisco ficou efetivada. Foram muitas reuniões para que eu pudesse aos poucos ser informado de tudo.
No dia seis (06) de fevereiro, foi celebrada na Matriz a missa de despedida do Frei Osni, e a minha acolhida. Foi muito triste para a equipe litúrgica organizar tudo isso. Despedida e acolhida uma mistura de sentimentos. Percebi o valoroso trabalho que os freis realizaram e, a manifestação de carinho e tristeza dos paroquianos.
Recebi uma comunidade muito triste, com a saída dos Freis que realizaram um trabalho fantástico e o povo esta sentindo toda esta mudança. Dom Francisco, não aceitou o abaixo assinado que a comunidade organizou e que foi entregue a ele numa reunião. Encontrei esse clima, mas em nenhum momento os Freis manifestaram revolta, em todos os momentos procuraram me ajudar a conhecer as comunidades. Eles estão assumindo uma comunidade totalmente ribeirinha e, o estão fazendo por obediência e amor ao Reino, por Jesus. Estão sentindo muito tudo por toda essa mudança, o que não é nada fácil, a missão esta mesmo além do imaginável.
Tomei conhecimento das pastorais e movimentos:
§ Renovação Carismática Católica, que realizou o retiro de carnaval onde colaborei e conheci o grupo;
§ Liturgia, formada por algumas equipes, que nas preparações para celebrações apresentaram certas dificuldades no uso das vestes litúrgicas.
§ Foram realizadas outras reuniões com os diversos conselhos e suas atuações:
§ Equipe do Encontro de Casais com Cristo, cujo diretor espiritual é o Frei Itacir, apresentaram as formas de trabalho e a importância que tem o movimento para a paróquia;
§ Comissão de Justiça e Paz, menina dos olhos de Dom Francisco, relataram as diversas atividade que terão durante o ano em conjunto com a Pastoral Carcerária;
§ Por fim, o brilhante trabalho da Catequese, coordenado pela Irmã Mariana e sua equipe. No encontro de Formação dos Catequistas, com mais de 60 participantes, falei da Campanha da Fraternidade e, convivi um pouco com os catequistas de toda paróquia. Estive ainda, com o Frei Osni na abertura do ano escolar, momento oportuno para conhecer o funcionamento da escola.
Um fato que tem me chamado atenção, é a forma como o povo fala do poder publico municipal. A constituição do município é muito interessante, na parte geográfica não há limites que definam a área, são mais de 1.000 km de estradas e, não existem registros das terras juntos aos seus proprietários, somente títulos concedidos pelo INCRA. A formação étnica se dá com praticamente gente de todos os estados e até mesmo estrangeiro. Segundo Dom Francisco: “Certamente faltam aspectos interessantes para uma Diocese como a nossa que tem nítidos traços da cultura indígena, nordestina e sulista” (Diretrizes Diocesanas da Ação Evangelizadora, Diocese de Humaitá, pág. 5). As estradas para as Vicinais, são quase intransitáveis para os veículos, até mesmo para os motociclistas. Na área urbana ninguém tem documentação dos lotes e, por isso não se cobra IPTU em uma cidade com mais de nove mil habitantes. A pecuária é o forte da economia, destacando o município entre os grandes no desenvolvimento agro pecuarista.
Continuando as visitas nas vicinais o Frei Itacir, conduziu-me a várias delas, despedindo-se e apresentando-me, foi muito engraçado, porque sempre havia surpresa para os dois. Foi muito bom o Frei ter me mostrado a realidade de cada comunidade. Assim, como também, ter me apresentado a seus amigos.
No fim do mês de fevereiro, Dom Francisco veio para me acolher, orientar e dar posse, que ele chamou de Cuidado Pastoral. Fez várias reuniões com diversos grupos e principalmente o CPP e o CAP. Fez muitas exortações em todas as áreas e orientou para que seguisse as diretrizes da diocese e as prioridades assumidas em assembléia paroquial, que são: GRUPO DE REFLEXÃO, JUVENTUDE E ANIMAÇÃO VOCACIONAL.
No dia 27 de fevereiro de 2010, na celebração Eucarística das 19h30, com a Igreja cheia, recebi de Dom Francisco o aval para iniciar minha missão. Na posse Dom Francisco preferiu usar o termo Cuidado, orientando-me para que eu seja de fato Pastor. Gostei do termo usado.
Na homilia de posse Dom Francisco, destacou e relembrou um pouco da história da paróquia, mencionando os bravos pioneiros, falou de padres, citando vários e do povo que enfrentou todos os tipos de dificuldades, mas sempre lutando, resistindo e teimando. Aqui estou para conhecer e conviver com este povo guerreiro. O povo que vai e que vem!
Algo que me chama atenção é a distancia que as famílias se deslocam para as celebrações, apesar disto demonstram uma alegria que emociona. Vibro com alegria e a participação deles, algo que tem vida, fé, esperança, confiança no DEUS misericordioso, isto é mistério de fé.
Apuí, 8 de março de 2010, dia Internacional da mulher.
PADRE EDIVALDO LOPES DE FARIAS
Nenhum comentário:
Postar um comentário